quinta-feira, 31 de maio de 2012

COMO INFLUENCIAR MENTES À DISTÂNCIA

No dia 26, Harry me deu um telefonema interurbano, valendo se de um pretexto evidentemente arranjado. Fiquei achando então que ele me enviara aqueles cartões durante algum tipo de luta contra a compulsão de me telefonar.
Lembrando que eu o havia "chamado" quando ele não tinha possibilidade de responder, fiquei pensando se a "ordem" inicial teria prioridade e se tudo mais deveria esperar até que ela fosse cumprida. O fato é que, só quando Harry estava a muitos quilômetros de distância, pôde cumprir a primeira ordem. E os postais, que certamente não eram o tipo de comunicação que eu pedira, podiam muito bem significar uma luta interna de Harry para não ceder a um ato inteiramente contrário ao seu comportamento habitual. Isso é comum quando um paciente recebe ordens verbais para serem cumpridas depois da hipnose. A pessoa tenta uma fusão, um acordo, numa tentativa literal, onde isso não é possível. Tanto a primeira quanto a segunda ordem foram dadas durante a tarde, e o telefonema interurbano chegou às 12h45. Harry teria indiretamente conseguido realizar minhas ordens dadas mentalmente?
Para que eu pudesse continuar o trabalho com Harry quando ele voltasse para Nova York, tomei nota do que aconteceu e arquivei cuidadosamente os cartões postais. Mas Harry demorou muito a voltar, e eu resolvi esquecer o caso, como se tivesse recebido uma ordem hipnótica para sofrer uma espécie de amnésia sobre o assunto.
Algumas semanas depois, esses acontecimentos de repente me voltaram a memória, de novo por causa de algo que li. Resolvi retomar a experiência. A primeira pessoa que tentei chamar foi Harry, a quem não via desde que saíra da cidade. Concentrei me. Dentro de algumas horas ele me telefonou, apenas para dizer alô.

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