Lembrando que eu o havia "chamado" quando ele não tinha possibilidade de responder, fiquei pensando se a "ordem" inicial teria prioridade e se tudo mais deveria esperar até que ela fosse cumprida. O fato é que, só quando Harry estava a muitos quilômetros de distância, pôde cumprir a primeira ordem. E os postais, que certamente não eram o tipo de comunicação que eu pedira, podiam muito bem significar uma luta interna de Harry para não ceder a um ato inteiramente contrário ao seu comportamento habitual. Isso é comum quando um paciente recebe ordens verbais para serem cumpridas depois da hipnose. A pessoa tenta uma fusão, um acordo, numa tentativa literal, onde isso não é possível. Tanto a primeira quanto a segunda ordem foram dadas durante a tarde, e o telefonema interurbano chegou às 12h45. Harry teria indiretamente conseguido realizar minhas ordens dadas mentalmente?
Para que eu pudesse continuar o trabalho com Harry quando ele voltasse para Nova York, tomei nota do que aconteceu e arquivei cuidadosamente os cartões postais. Mas Harry demorou muito a voltar, e eu resolvi esquecer o caso, como se tivesse recebido uma ordem hipnótica para sofrer uma espécie de amnésia sobre o assunto.
Algumas semanas depois, esses acontecimentos de repente me voltaram a memória, de novo por causa de algo que li. Resolvi retomar a experiência. A primeira pessoa que tentei chamar foi Harry, a quem não via desde que saíra da cidade. Concentrei me. Dentro de algumas horas ele me telefonou, apenas para dizer alô.
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