As coisas se tornaram muito confusas, pois, duas ou três vezes em que me concentrei intensamente, Harry não telefonou. E em outras vezes, nas quais apenas pensei nessa possibilidade, Harry deu se ao trabalho de me telefonar sob um pretexto qualquer.
Uma vez ele telefonou apenas para dizer que o lampião que eu lhe havia emprestado há meses precisava ser consertado. Lembrei lhe que já me tinha dito isso. Outra vez, depois de uma sessão de "concentração", esqueci as ordens dadas e sai à tarde. Quando voltei às 2 da madrugada, disseram me que Harry havia telefonado várias vezes a parecia ansioso por me encontrar. Afinal falei com ele às 2h15. O que era? Estava procurando um cinema que lhe alugasse um lugar onde pudesse vender balas, e queria saber se eu aprovava a idéia. Disse lhe que ele já tinha falado nisso há alguns dias, e que não precisava resolver imediatamente. Ele não sabia dizer por que era tão urgente falar comigo àquela hora da manhã.
Nos três dias seguintes deixei de pensar em Harry, mas ele telefonou e disse que queria me ver. Encontrei o no meu consultório no dia seguinte e vi que estava preocupado. Sugeriu que fôssemos andar, e por fim falou. Nas últimas duas semanas, disse, parecia obcecado comigo. Acordava de manhã pensando em mim, is dormir comigo no pensamento. Não podia parar de pensar em mim.
Não lhe contei o que estava acontecendo, mas garanti que ia livrá lo do problema. Voltamos para o consultório e o pus em estado de transe. Disse lhe então o que estava tentando realizar e garanti que a obsessão ia desaparecer sem outros efeitos. E desapareceu. Alguns dias depois, ele me telefonou para confirmar que tudo desaparecera milagrosamente depois da sessão, e que ele estava conseguindo trabalhar normalmente.
Depois disso, eu também voltei a "trabalhar normalmente", o que quer dizer que em todos esses anos, depois das experiências com Harry, não fiz outras tentativas de sugestão a distância.
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